as virtudes e o bem


A virtude é uma qualidade a serviço do bem: o bem é o fim, a virtude é o meio. O valor da qualidade advém do resultado dela decorrente. Praticar a virtude sem medir suas consequências é desprezar a razão de sua existência e pode ter como resultado o mal. Um valor só é positivo de fato quando a serviço do bem do agente e da comunidade. Se ele der causa ao mal de um desses, nessa ação específica ele foi negativo, embora não seja um vício. Hábitos (um modo padronizado de sentir e pensar, de reagir e agir) são adequados para situações habituais; em situações anormais a pessoa não tem a obrigação de agir da maneira habitual (ela não é escrava do hábito), ela pode e deve fazer uso do seu livre-arbítrio. A prática da virtude não é obrigação, é uma responsabilidade do indivíduo para consigo e para com a sociedade e, portanto, ele deve se preocupar com o resultado que pode advir dela. Não é a prática obrigatória dos valores positivos que torna o indivíduo virtuoso, mas sim o bem advindo desta prática. Se, para uma determinada ação, os danos causados sobre o agente em decorrência da prática de um vício forem menores do que os que seriam causados sobre ele ou sobre a comunidade pela prática da virtude,  o agente pode considerar recomendável o vício, pois, a rigor, o que importa é o bem (ou a redução do mal) advindo da ação.

Não existe virtude no cumprimento de dever ou obrigação (embora, muitas vezes seja um mal necessário) - ninguém deve ser obrigado a se sacrificar (fazer um mal a si mesmo) pelo bem do outro e nem pode sacrificar o outro para o próprio bem. O sacrifício próprio, quando necessário, deve ser fruto da responsabilidade do agente, e nunca de obrigação ou dever.