virtudes

Virtudes são valores morais positivos, expressão/tradução da essência (instinto e intuição), incorporados pelo indivíduo (se tornaram hábitos) em decorrência de suas experiências (ensino e prática), que, como regra, o induzem à satisfação de seus desejos mediante a prática do bem.

A virtude é o poder de fazer o bem existente na pessoa (essência) que foi explicitado e tornado hábito. A virtude pode se desenvolver a partir de uma emoção ou de um pensamento - uma reação emocional correta induz a um pensamento correto, e vice-versa. Quando, repetidamente, uma emoção do bem encontra um pensamento do bem, obtendo um resultado do bem, cria-se um hábito do bem, uma virtude.

O estudo dos valores morais facilita o pensamento correto, mas não é imprescindível para o indivíduo, pois a virtude pode ser desenvolvida a partir da emoção, e a busca da felicidade induz a pessoa a buscar a emoção correta, a adotar a opção que a faça mais feliz, o que a induz à prática da virtude. Verifica-se, portanto, que mesmo o indivíduo inculto (sem instrução) pode desenvolver seus valores morais. Ressalte-se, entretanto, que o valor moral oriundo da emoção  precisa ser entendido e validado pelo pensamento para poder ser transmitido/ensinado (e assim fomentar a evolução) e que o comportamento moral decorrente basicamente da emoção (que foi validado e incorporado, mas não foi devidamente processado pelo pensamento) pode apenas ser imitado, o que dificulta/impossibilita o seu ensinamento. 

Vícios são valores morais negativos, incompatíveis com a sua essência (instinto e intuição), incorporados pelo indivíduo (se tornaram hábitos) em decorrência de suas experiências (ensino e prática), que, como regra, o induzem à satisfação de seus desejos mediante a prática do mal. Deles advêm sempre o mal, pois pelo menos para o agente  advirá o mal de tê-lo praticado.

Desejos incompatíveis/artificiais induzem ao desenvolvimento de vícios e de propensões não-naturais compatíveis com eles, mas não compatíveis com a essência e, vice-versa, propensões não-naturais induzem ao desenvolvimento de vícios e desejos incompatíveis/artificiais.

A virtude é uma qualidade da pessoa adulta. Na infância, a pessoa ainda não desenvolveu a consciência do outro e a razão e, portanto, os valores morais positivos para ela serão uma obrigação social (uma demonstração de polidez), que praticará se for conveniente para a satisfação de seus desejos de Ter. Na adolescência, a pessoa já é racional e a consciência do outro ainda não está totalmente desenvolvida e, nestas condições, os valores tendem a ser apenas mais um quesito em um processo decisório onde predominam a razão e os desejos de Ter e Ser. Somente o adulto plenamente desenvolvido tem todas as condições necessárias para o desenvolvimento das virtudes.

Uma ação é virtuosa quando dela resulta o bem; uma pessoa é virtuosa quando, como regra, a sua intenção/propensão é boa. Portanto, virtuoso é todo aquele que busca a satisfação de seus desejos mediante a prática do bem. Mas, ser virtuoso não é suficiente para ser feliz; para ser feliz, a pessoa precisa adequar seus desejos às suas virtudes, ela precisa ter valores instrumentais e terminais positivos. O ser humano é perfeito como criação (ele nasce perfeito, mas se perde durante o crescimento) e quando, já na fase adulta, ele compatibiliza desejos e virtudes, ele resgata esta perfeição (a perfeita adequação/harmonia entre ele e o mundo), e se sente perfeito e  feliz.

Sábio é aquele que é feliz no exercício do poder de fazer o bem, na prática da virtude. Nem todo virtuoso é sábio, mas todo sábio é virtuoso.