família



A vida em família deve ser a primeira etapa de uma evolução sustentada do indivíduo, de uma caminhada feliz. É na família que a pessoa inicia sua caminhada e se prepara para o restante dela. A família dá à pessoa um sentimento de segurança, uma sensação de continuidade no tempo. Esta etapa traz consequências para a vida toda. A família deve ser uma escola de vida.

Tradicionalmente, a família tem sido considerada como sendo a célula da sociedade, mas, nestes dias de correria, nos quais as pessoas têm pouco tempo para dedicar ao próximo, ela vem se tornando uma célula estanque, onde os relacionamentos afetivos tendem a ficar limitados àqueles entre seus membros, o que a descaracteriza como célula da sociedade. Uma sociedade forte não se forma com células sem coesão, sem compromisso com o todo, e para que isto ocorra é preciso que haja permeabilidade entre as células e isto só ocorre quando o compartilhamento de afeto extrapola por princípio as fronteiras da família. Adicionalmente, a dispersão dos membros da família, geralmente em decorrência do trabalho, bem como a desvalorização de seus idosos, vêm provocando o enfraquecimento da família.

A principal característica de uma família sempre foi a auto-proteção, ou seja, a lealdade incondicionada de cada membro à familia, a proteção incondicionada de seus membros, o apoio em função do vínculo familiar. Isto se justifica em situações de competição, quando a família corre riscos relacionados à sobrevivência. Uma vez superada esta etapa, é preciso que a família evolua no seu relacionamento com a sociedade, para então se tornar uma célula desta. 

Em termos absolutos, o indivíduo é a célula da sociedade. Ele nasce para se tornar parte da humanidade e não apenas de uma família. A família é o abrigo natural na vida do indivíduo, devido ao vínculo genético e afetivo, mas nem sempre a família é um bom abrigo. É preciso que a humanidade seja acolhedora, para que se possa abandonar o abrigo, quando necessário.

No mundo atual, a função dos pais é promover o crescimento de seus filhos como indivíduos independentes e únicos, com necessidades próprias que podem não ser iguais às da família, ou com preferências por meios que não os utilizados por ela.